Traços de Estilo

“A poesia confunde-se com a prosa da mesma maneira que o poeta confunde-se com o homem da rua e já não pode nem deseja reivindicar para si a condição de eleito dos deuses.” (o poeta Gullar) “É preciso levar em conta as palavras que você escolhe, cuidar de cada sentença. É preciso ser sensível ao sentimento das pessoas.” (o jornalista Talese)

21.10.09

Mente minha?

A minha mente é como se não fosse, flutua…
Leveza e vontade de voar, uma criança brincando.

É minha mente.

Distraída do mundo, compenetrada a detalhes,
Cadê minha mente?

Se me perguntarem o que habita em minha mente, direi:
- Descubra, só você o pode.

Nos atos,
Nos gestos,
Nas palavras que dela saem.

Só sei que minha mente brinca comigo
Enquanto meu coração fala sério.
Meu coração é meu abrigo.
Minha mente é mistério.

21 de Outubro de 2009,

Ana Helena Tavares

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5.10.09

O orvalho e a semente

Foto: Cristal Garner

No inverno, o aconchego

O medo do sossego

No outono, as quedas

E algumas entregas

Mas é primavera

Depois da espera

E o verão virá

E também passará

Um pingo de orvalho

Naquela semente,

Parece dizer: essa primavera tá diferente

Engano: tudo se mistura

Enquanto a vida dura

E a dança das estações

Só se traduz a quem as sente.

05 de Outubro de 2009,
Ana Helena Tavares

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1.9.09

A razão é o amor

*Para as minhas avós Maria Helena (in memorian) e Conceição, que sempre colocaram o amor acima de tudo.

Lutar pela causa justa
E nunca perder a garra de viver
É saber como ninguém quanto custa
O sabor de lutar por um querer!

Seu valor é incalculável!
Não é possível lhe pôr preço.
Pode haver algo mais louvável?
Se houver, é coisa que não conheço…

Digo louvável porque lutar pelo que se quer
E para isso dar o sangue se preciso for,
Sem se importar com o que pela frente lhe vier,
É a melhor demonstração do puro amor!

Apesar de se encontrar tão esquecido,
Este amor, eu sei, ainda existe!
Pois por mais que esteja ferido,
A tudo este sentimento resiste.

E enquanto houver pessoas assim, que lutem com confiança
Por causas nas quais acreditem de verdade,
Ainda terei – sim – a doce esperança
De o amor reinar por toda a humanidade…

Ana Helena Tavares

criado por Ana Helena Tavares    18:00:32 — Arquivado em: Brincando com os versos, Todos os poemas — Tags:

31.8.09

Tempo: a sorte da vida?

*Para o meu amigo Maurício Vieira, que sabe que sem amor não há tempo que cure ferida.

Pelos caminhos do tempo

Eu, pêndulo deslumbrado,

Busco as rédeas do vento

Que sempre me havia guiado.

Dizem que o tempo é amigo da experiência,

Mas ele sozinho não me clareia o escuro

Que tão ingrata inconseqüência

Quer impor ao sonhado futuro.

Não digo que seja pura utopia

Acreditar que o tempo cura a ferida.

Essa na construção de um dia

Até pode ser doce concepção de vida.

Mas só se acha um vento na ventania

Quando do amor é a lição entendida.

28 de Agosto de 2009,

Ana Helena Tavares

criado por Ana Helena Tavares    15:33:11 — Arquivado em: Sonetos, Todos os poemas — Tags:,

31.7.09

Nos quadrados também há um pulso

Carinho que vem quadrado
Nem bem se vê de que lado
Pode vir também em bandeja
De forma que bem se veja

Há amor no silêncio
Não expressar não é defeito
Olhares podem ser gestos
Cada um ama ao seu jeito

Identificar o afeto
Por tímido que seja
É desafio concreto
De uma vida que lampeja

Olha a flor que ele colheu
Será que já não te deu?

31 de Julho de 2009,
Ana Helena Tavares

Nos quadrados também há um pulso no site O melhor da web

Nos quadrados também há um pulso no Recanto das Letras

criado por Ana Helena Tavares    14:52:16 — Arquivado em: Todos os poemas — Tags:,

16.5.09

Uma pergunta para Platão - poema

Há quem queira ser Deus e abandonar o humano
Vejo isso, meu Deus, será engano?
Tem gente querendo ocupar o Seu lugar, e de vez!
Não se importam com Suas leis!
Pensam que ninguém vê quando erram, que fica tudo no escuro
Será que não vêem as câmeras atrás do muro?
Há até, veja só, quem ache que imortalidade traz felicidade
Nessa hora minha cabeça dá nó, isso não pode ser verdade
A morte faz parte da vida tanto quanto a tristeza não existe sem a alegria
Estão querendo manipular tudo, meu Deus, onde vai parar tanta rebeldia?
Não conheço coisa mais maravilhosa que o tropeço de uma criança
Pra que eu iria querer nascer um robô que não sabe o que é dança?
Dança de emoções, que doem e deixam seqüela
Dança de sonhos, suspirados na janela
Sou errônea, meu Deus, e sei que da morte não me esquivo
Será que Platão hoje queria ser vivo?

16 de Maio de 2009,
Ana Helena Tavares

Uma pergunta para Platão no site O melhor da web

Uma pergunta para Platão - poema no Recanto das Letras

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25.4.09

Os óculos quebrados

Foto: Ana Helena Tavares, em 23 de Abril de 2009

Para minha amiga Isabela Guedes que, passeando comigo pelo calçadão de Copacabana, reparou que mais uma vez os óculos de Drummond estavam quebrados e me disse: “Você devia escrever algo…”

Eu vejo tudo desregrado
Numa sociedade tão cheia de louça
Veja que incoerência, meu caro…
Fazem exigência e têm os pés na poça

Mas vejo por um prisma distorcido
O meio me deu óculos e ele mesmo os quebrou
É tanta informação passando em meu tecido
Que há dias em que não sei nem quem sou

Vejo o povo colocar as leis e quem as aplica numa margem, ou seria um pedestal?
E mandar o espaço urbano, seio das causas sociais, pra outro rio…
Quem me dera que isso fosse só uma miragem hibernal!
Daqui a uns anos, eu não quero ver meu país chorando em lugar frio

A moda é ser hipócrita, virou sonho de consumo
Hipocrisia resolve tudo, dá status, virou troféu
Pro meu olhar qual pode ser o melhor rumo
Senão ficar querendo admirar o céu?

Mas poetas gostam de observar a sociedade
Por isso Drummond sentava-se de costas pro mar
Só me resta uma grande curiosidade:
Quantos juízes ele terá visto passar?

25 de Abril de 2009,
Ana Helena Tavares

Os óculos quebrados no Recanto das Letras

Os óculos quebrados no site “O melhor da web”

criado por Ana Helena Tavares    16:46:12 — Arquivado em: Algum lugar entre a prosa e a poesia, Todos os poemas — Tags:, , , , , , ,

21.3.09

Tem picolé no final

O caminhão parado no ponto
Atrapalha a visão
Sigo em frente

A escada rolante e sem vida
Atravanca a subida
Vou de rampa

Abrem-se os portões da Praça XV
E lá vai o estouro da boiada
Será a última barca do apocalipse?

Não, é só mais uma barca pra Paquetá.
“Picolé, esse só tem em Niterói”, anuncia o ambulante marítimo.
E é porque há refresco que a vida segue seu ritmo.

21 de Março de 2009,
Ana Helena Tavares

criado por Ana Helena Tavares    21:04:32 — Arquivado em: Todos os poemas — Tags:,

A garça

Foto: Ana Helena Tavares

A garça com seu pescoço palito
Olhava a água de um negro infinito
Bem queria avistar ali alimentos
Bem queria estar vendo outros ventos

Inerte, em sua imposta impotência,
Da proa de um velho barco, põe-se a olhar o horizonte
Parece pedir ao mundo clemência
Ou talvez ela só quisesse voar

21/03/2009,
Ana Helena Tavares

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Pensamento

Uma vontade de fazer cafuné

Cafuné que vai e volta, pode ser por outras mãos…

21 de Março de 2009,

Ana Helena Tavares

 

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15.1.09

Negócios negócios, paz à parte

- Para minha amiga Bete Trotte, que “se mudou para Gaza”.

Faz-se noite por onde passaram os filisteus
Faz-se noite sobre a sombra do belicismo
daqueles pra quem a paz não interessa
Faz-se noite e a manhã não começa
Escureceram o sol, já não ouvem Deus
aprisionaram sua voz num abismo

Faz-se noite sobre um mundo de sofás atentos
Assisti-se ao sangue derramado pelo vil metal
Negócios negócios, paz à parte
Em que parte? Pra que olhos? Não é um filme?
Mas os olhos das mães de Gaza choram
Lágrimas lágrimas, ficção à parte

Não sei como os generais do Estado sorriem
depois de tantos cogumelos nocivos à humanidade
cravando de mortes a terra onde Cristo escolheu viver
impedindo o broto de chegar à mocidade
fazendo vidas valerem menos que poder
e tapando o sol com balas de canhão

Contam com a inércia de um mundo doente
Ouvi dizer por esse meu Brasil:
“Não sou judeu nem mulçumano. Pra que me preocupar?”
Faz-se noite nessa mente senil
que só com a morte frente à frente
verá que na palestina todos vão parar

Ana Helena Tavares
15/01/09

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6.1.09

Sonhos não terminam de manhã! (ou Minas ainda há! 1ª e 2ª partes*)

Foto: Ana Helena Tavares

Uma rede, um pedaço de Minas...

Uma rede, um pedaço de Minas...

- Para o meu amigo Gilson Caroni Filho, capixaba com alma mineira, alma de menino… Um menino incansável na luta por justiça, que tanto sonhou construir mudanças no mundo que hoje muda o mundo construindo sonhos.

Vou para Minas, mas cadê Minas?
Disseram que se desfez, disseram que agora é mar.
Mas, ué, lá não tem praia, lá tem boi, lá tem vaca, lá tem o verde que dá café.
Posso sentir o cheiro. E sentir é saber.
Que algo existe, sim, existe! Sinto e…
por isso, ainda há!

De onde vem o leite que tomo de manhã?
Não me enganem!
“Ah, foi feito em laboratório…” Nada disso!
E aquela vaquinha branca que vi sestrosa pelo mato?
Minhas retinas não me iludem e se for ilusão, que mal há?
Tenho certeza, Minas ainda há!

De onde vem aquele pozinho pretinho com um cheiro irrepetível?
“Shiii, hoje em dia isso se fabrica, moça!”
Pela janela do carro observo, de um lado e de outro, cafezais em flor,
lá no meio deles, do coração de uma casinha simples pareço ouvir:
“Cheirinho de café quente, já colheu o resto?” Por lá não passou Mr. Ford,
por lá Minas ainda há.

Vou para Minas, sei que ela está lá! Sei porque sinto.
Ando nas ruas de minha querida metrópole, olho para uma rosa, sinto seu aroma e sei. Tiro o calçado na minha varanda, piso numa nesga de terra e sei.
Até ao acariciar meus cachorros olho profundamente seus olhares indecifráveis
e entendo que Minas sempre haverá.
Basta se querer que ela exista.

Queijo com goiabada,
cheiro de terra molhada,
palmas na calçada: “Ô, de casa!”
Cheguei em Minas. Uma rede, um quintal: “Ah, que bela amendoeira!”
Será dali que saem aquelas amêndoas parrudas de Natal?
Sabia que Minas ainda havia.

Como passar um Natal sem Minas?
Um Natal sem o interior,
qualquer interior.
Noel vem de uma cidade sonho?
Vem da minha Minas.
Todo real foi sonho antes.

Carrinho de rolimã desce,
sobe ladeira.
Era o brinquedo preferido do menino magrinho, irmão de mais dezesseis,
na sua longínqua Minas.
Hoje, bem-sucedido empresário, no Rio de Janeiro que adotou, ele garante:
“Minas não sai de lá.”

É por isso que eu vou para lá.
Na minha viagem, talvez não ouça nenhum “uai”.
Quem sabe não encontro algum capixaba, ou paulista talvez…
Que interior rico tem São Paulo, que interior rico tem o Brasil.
E pelo mundo afora já imaginaram quantos recantos não são, por assim dizer, mineiros? “Para que pressa, meu senhor, a gente já chega, é logo ali…”

E o senhorzinho, então,
vai indo,
vai indo,
até que avista Minas.
Ela estava
dentro dele.

Porque dentro dele
canta um galo.
Acordou junto
à primeira fornada.
Um pão quentinho
e Minas cabia naquele cantinho.

Lá fora, as folhas choram
o orvalho da noite que ninou as ladeiras.
Telhas com lodo acusam:
por ali passou água,
por ali passou vida;
Minas passou por ali.

E para onde foi Minas?
Terá ido para o bater de asas do beija-flor
ou para o deslizar da gaivota?
Não importa. Minas paira.
É o que os galos anunciam
todas as manhãs.

Você não os ouve de seu arranha-céu?
Experimente passar um dia arranhando
a terra…
Fazendo desenhos nela, casinhas de barro…
Ah! Como fiz casinhas de barro!
Sim, Minas mora nelas.

E pode morar também na sua,
basta ouvir o cantar do galo.
De repente, no ouvido um estalo.
É estalinho, é São João.
A brasa da fogueira escreve no vento:
“É Minas! É trem ‘bão’!”

Olha o trem…
ziguezagueando as montanhas,
parece brincar
com os cafezais.
Café com galo cantando?
É gosto de quero mais.

“Toma os trocados
pro seu doce,
vai lá na barraca,
meu filho,
deixa eu fazer o bolo de milho.”
Ah! Quero mais…

Minas deixa esse gosto nos lábios dos que já a beijaram.
E sinto… E há.
Como quando um domingo à tarde me faz sentir passar a banda…
Ela não passou? Mas senti.
Como quando um pingo de arte me faz sentir rodar em ciranda…
Não rodei? Mas senti.

Minas é sensação.
Como amar sem sentir?
E que gosto tem o real
sem o amor
que se confunde
com aquele chamego de interior?

Que gosto tem a fruta comida do pé?
Tem gosto de Minas!
Para que lavá-la e tirar seu pólen?
Minas é aquela pétala que compõe a flor,
porque secá-la é lhe negar sabor.
Sim, mangas têm pólen, margaridas têm sabor.

Como um grão de areia
que na nossa mão é maior que o mar,
Minas transforma,
se transforma,
nos transforma.
Por isso vive.

Vive na folha que cai da árvore
e voa que voa.
Sabe-se lá onde vai parar.
Vive na formiguinha que sobe a parede
à toa, à toa…
Que nada, está a trabalhar.

Está presente nas abelhas que dão mel
e nas ovelhas que dão lã.
De onde vem isso tudo, meu Deus?!
Para compor uma mesa de ceia, risadas harmônicas
e tortas rodeadas de saladas de frutas.
Quantas Minas, quanto campo, quantas lutas!

A pedra que dava ouro hoje dá louro
a quem nela crê.
Em Minas, tem dessas pedras que rolam na grama,
se sujam de lama,
sem se importar com quem vê.
Nem com quem ouve…

Mas o galo quer platéia… E a platéia precisa dele.
Ouça você com mais cuidado.
Sim, ele canta em sua metrópole.
Até na Avenida Central ele canta.
Verdadeiro mestre em disfarces,
sabe de inglês a javanês.

“Um dia traduzi num exame escrito:
‘Liberta que serás também’.
E repito”
Foi assim que Vinícius de Moraes confessou ter um dia
errado a tradução do lema da bandeira mineira.
Repito com ele!

Como saber se Minas há
se você nunca buscar libertar-se para que ela liberte-o?
Não tem tempo?
Ah, foi bom lembrar…
Cocoricó!!!!!
Para ser livre, Minas gosta de libertar os relógios.

E o que Minas
mais gosta mesmo
é de ser Minas.
Uma autenticidade
que nunca ninguém
vai lhe tirar.

Seja você
mineiro ou capixaba,
brasileiro ou estrangeiro,
é fácil entender.
Minas é sinônimo
de sonhar.

Já foi num campinho daqueles de várzea
e observou alguns pés descalços
atrás de um sonho?
Já interpretou o rosto de quem ganhou sua primeira pipa
e foi pro alto de uma ladeira para soltá-la
sonhando alcançar as nuvens?

A Minas
de que falo
é tudo isso.
Todos os sonhos
que enquanto houver
o pulsar de corações
não morrerão.

Ela está nos hábitos mais gostosos
que a humanidade já produziu.
Desde o sonho
de abraçar o mundo
ao desejo
de abraçar e beijar aquele menino/menina com quem tanto se sonha.

Sim, Minas está também nos namoros
e nos choros
que eles produzem…
Já se banhou num lago em dia de chuva fina e chorou de amor na cabeceira de um rio? Ou quem sabe… Já correu no temporal e chorou de amor à beira mar?
Suas lágrimas foram para Minas.

Chove e, em cada gota,
Minas é mais Minas.
Da janela se vê folhas escorrerem sua alegria.
Oh! Que lindo girassol no florista
de minha metrópole ensolarada…
Foi regado com amor.

Minas está no sol e na chuva, no sol e na lua –
está no encontro dos dois.
Está em tudo que é vida e vida
– para quem a vive intensamente –
cheira a sonho, como o pão de queijo quentinho da vovó,
como almofadas macias que embalam meu sono.

Sonhei que uma borboleta piscava para mim de noite.
Estou certa de ter visto uma beliscar os primeiros raios de sol.
Borboleta, borboleta… Borboleta que vai e volta…
Será a mesma? Eu sabia!
Minas está nela
e sonhos não terminam de manhã.

Dezembro de 2008

(escrito à mão, entre os dias 08 e 15, num lugar cheirando a Minas)
Ana Helena Ribeiro Tavares

*Um texto que nasceu por partes…

Minas ainda há 1ª parte no Recanto das Letras

Minas ainda há 2ª parte (ou As manhãs são dos galos e das borboletas) no Recanto das Letras

Minas ainda há 1ª parte no blog do radialista mineiro Carlos Ferreira

Minas ainda há 1ª parte no blog do Patolino

E as partes se juntaram…

Sonhos não terminam de manhã no Portal Literal

Sonhos não terminam de manhã no Guia de Concursos Literários

Sonhos não terminam de manhã no blog É-poésis

Obs: Claro está que este texto é minha singela homenagem ao maravilhoso estado de Minas Gerais e é importante ainda frisar que o título original de “Minas ainda há” trata-se de uma homenagem a Drummond, nosso magistral poeta mineiro, que dizia que “Minas já não há…”

8.12.08

Aceita o Ano Novo?

Quer vir por aí um verdadeiro ano novo
Aurora de vida, aurora de começo
Aquele que, do ninho, é único ovo
Aquele que nasceu para o seu endereço.

Mas você o aceita
ou você o enjeita?
Quantas vezes você ri de si mesmo
achando que solta o riso a esmo?

E, assim, dos novos faz velhos,
não avança nem alcança
As pedras que poderiam
construir castelos.

Foi mal-vivido seu ano passado?
Faz novo, faz lavado…
Foi sem-sentido seu ano antigo?
Embaralha-o, joga pro alto, qual o perigo?

O perigo é ficar olhando o novo chegar
“Vou fazer regime segunda-feira”
Os janeiros ficam a nos esperar
“Mas que adianta se como bolo na terça-feira?”

Não aceite pinturas, remendos de um ano novo fajuto
Há que se plantá-lo a cada minuto, a cada segundo
Preste atenção às formiguinhas com olhar astuto
Como acha que elas sobrevivem nesse mundo?

Dentro é que importa, o fora não chora
Aparência não vale um sorriso
Quanto mais lágrimas de paraíso
Lágrimas de renovação, de um ano que foi embora

E foi bem-vivido o seu ano?
Faz novo também, torce o pano.
E fez sentido seu ano que ficou pra trás?
Embaralho-o também, nada que faz muito sentido é bom demais.

Um pouco de bagunça também é bom
Mas, epa, há um figurino…
Comer, passear, ficar no bem bom…
Até parece que é só isso o destino…

Figurino de trabalho, figurino de estudo
Tudo isso terá no ano vindouro…
E por que não? Mas abra os braços sem escudo…
E tudo isso será tesouro.

Você não precisa se embebedar na virada
Tudo que o ano novo quer é que você empilhe as pedras da estrada.

07 de Dezembro de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

Aceita o ano novo?

criado por Ana Helena Tavares    09:34:21 — Arquivado em: Todos os poemas — Tags:, ,

15.7.08

Coisas impossíveis

- Para o meu amigo Marcelo Nogueira, que se já não bastasse ser ele próprio um verdadeiro carnaval fora de época ainda insiste em dizer que já viu alguém dançando freneticamente o fado… : )

Tocar saxofone em Marte
O mundo sem arte

Bandeiras paradas na ventania
Morcego morder de dia

Uma cobra andar de lado
Dançar freneticamente o fado

Correr numa bicicleta a 300 por hora
Chupar cana comendo amora

Passear livre e solto pela parede
Ficar dois dias sem água e sem ter sede

Construir um país em dois meses
A humanidade sem interesses

O bem trapaceando o mal
Pepinos formando um grupo social

Líder sem seguidor
Sacrifício indolor

Lágrima que brota colorida
Uma guerra mundial ser vencida

Paz com muro
O sol raiar escuro

Uma vida assim, assim
Banqueiro sem din-din

Venda sem produto
Palmeira dar fruto

Saci sem cachimbo
Fim-de-semana sem domingo

Beta sem alfa antes
Quixote sem Cervantes

Julieta sem Romeu
Um padre ateu

O céu virar chão
Homem sem coração

Sangue azul
Estar no norte e no sul

Jornal sem notícia
Verdade fictícia

Bebê que fale ao nascer
Sem versos um poeta viver

A Terra sem o mar
A poesia acabar…
Ana Helena Ribeiro Tavares,

14/07/08

criado por Ana Helena Tavares    12:15:05 — Arquivado em: Todos os poemas — Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , ,

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