31.8.09
*Para o meu amigo MaurÃcio Vieira, que sabe que sem amor não há tempo que cure ferida.
Pelos caminhos do tempo
Eu, pêndulo deslumbrado,
Busco as rédeas do vento
Que sempre me havia guiado.
Dizem que o tempo é amigo da experiência,
Mas ele sozinho não me clareia o escuro
Que tão ingrata inconseqüência
Quer impor ao sonhado futuro.
Não digo que seja pura utopia
Acreditar que o tempo cura a ferida.
Essa na construção de um dia
Até pode ser doce concepção de vida.
Mas só se acha um vento na ventania
Quando do amor é a lição entendida.
28 de Agosto de 2009,
Ana Helena Tavares
9.6.08
Foto: Ana Helena Tavares
O escritor é um observador.
Observa tão atentamente
Que na escrita tem que expor
Tudo o que percebe à frente.
E ainda sabe ele que ao escrever
De fugir da timidez é capaz…
Se cara a cara não consegue deixar ver
Tudo o que seu coração traz…
E, enfim, nos textos que cria
(Com gosto doce, salgado ou azedo)
Está a sua mais profunda fantasia,
Toda sua emoção, todo seu medo.
Brincar com as letras é, com magia,
Levar seu mundo à ponta do dedo.
- Livremente inspirado no poema “Autopsicografia“, de Fernando Pessoa.
Ana Helena Ribeiro Tavares
Foto: Ana Helena Tavares

Julguei ser um corriqueiro assunto…
Para versar o amor fiquei comedida.
Sem harmonia ficou o conjunto.
Neguei o pintor da vida.
Fiz de mim branca barreira pomposa,
Ao invés de cercar-me com muros de cor.
Uma aparência que se queria formosa
Sentiu falta da leveza do amor.
Não sei se ele age da melhor forma,
Talvez não precise mesmo saber.
Se é o amor algo puro e sem norma,
Se é ele quem nos ensina a viver,
Com sua tão recortada plataforma
Nos bem cabe amar… Pra que entender?
Ana Helena Ribeiro Tavares
15.5.08
Foto: Ana Helena Tavares

Estou cheia… Cheia mesmo, ouviram?!
Cheia não sei bem de que, é verdade!
Talvez do que sempre me imprimiram.
Hipocrisias da sociedade…
Sociedade muito bolorenta!
Que me deixa cheia sim, nunca nego.
Quem será que isso tudo ainda agüenta?!
Mundo preocupado com o ego…
O mesmo ego que me deixa tão cheia.
Do cotidiano, planos demais…
Na vida, não podendo fazer ceia
Um lanche também satisfaz!
Nunca cabe é julgar a vida alheia…
Pra que pensar que o outro tem mais?
Afinal será mais viva a pintura
Da fachada do vizinho
Ou será você que não mais atura
Seguir o seu próprio caminho?
- Livremente inspirado numa aula de sociologia… Porque mestres inspiram. Sempre!
Maio de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares