Traços de Estilo

“A poesia confunde-se com a prosa da mesma maneira que o poeta confunde-se com o homem da rua e já não pode nem deseja reivindicar para si a condição de eleito dos deuses.” (o poeta Gullar) “É preciso levar em conta as palavras que você escolhe, cuidar de cada sentença. É preciso ser sensível ao sentimento das pessoas.” (o jornalista Talese)

27.7.09

Ser como gota de chuva

“Não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive. É o mais adaptado às mudanças” (Charles Darwin)

Chove. E eu com vontade de mergulhar em cada gota.

As gotas caem nos meus olhos, mas meus olhos querem ser elas.

Límpidos, nascidos de nuvens, sem o embaçamento da metrópole empoeirada.

Livres, guiados pelo vento, sem as amarras da sociedade que me molda.

Ser como gota de chuva. Flutuar, conhecer lugares longínquos, beijar cada chão.

Ser cristalina no ar e desmanchar-me turva no asfalto quente que me evaporaria e me faria voltar a ser gota. Um eterno recomeço.

Assim precisaria ser a vida. Cada sol nos anuncia uma nova chance de voltar a ser gota.

E de percebermos que aquele berro que ficou calado não morreu. Apenas se transformou.

27 de Julho de 2009,
Ana Helena Tavares

Ser como gota de chuva no Recanto das Letras

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21.7.09

O progresso e o sacrifício do beijo no carcereiro

Se não foram poucas as realizações do governo Lula em projetos sociais, há que se assumir que isso se deve em grande parcela ao talento do nosso presidente para agregar para suas trincheiras conhecidos adversários. Não por acaso ele desfila sua credibilidade, de cabeça erguida, pelos mais nobres salões internacionais. E isso não o faz deixar de ser de esquerda, não o torna menos progressista. Ao contrário, o progresso requer o sacrifício do beijo no carcereiro.

Por Ana Helena Tavares

O que é ser de esquerda pura? Se dentre as definições estiver não aceitar conchavos suspeitos nem mesmo em momentos que seja necessário se livrar da forca, então a esquerda pura é uma grande utopia, simplesmente não existe. E é uma grande falsidade dizer-se puro.

Não há adegas neste país com vinhos que possam dizer que nunca se misturaram a azeite. Mais: misturas fazem parte do jogo político que, queiram os “puristas” ou não, precisa ser jogado. O grande segredo está em fazer com que este jogo não apague a chama da defesa da justiça social, da luta pelas liberdades democráticas e dos Direitos Humanos, bandeira indiscutível do nosso presidente.

Chegar ao governo não é a mesma coisa que chegar ao poder. É preciso deixar isso sempre claro. Poder conquista-se a troco de alianças.

Se não foram poucas as realizações do governo Lula em projetos sociais, há que se assumir que isso se deve em grande parcela ao talento do nosso presidente para agregar para suas trincheiras conhecidos adversários. Não por acaso ele desfila sua credibilidade, de cabeça erguida, pelos mais nobres salões internacionais. E isso não o faz deixar de ser de esquerda, não o torna menos progressista. Ao contrário, o progresso requer o sacrifício do beijo no carcereiro. Sempre foi assim em toda história da humanidade. Como então uma esquerda fechada conseguirá avançar? Manter ideais, sim, mas transformar rivais em aliados nos momentos de batalha mais sangrenta é questão de sobrevivência.

Temos agora aí a CPI da Petrobras, este engodo plantado pela oposição para desestabilizar o governo e afundar o país. Numa situação como essa, ter maioria no Congresso, mesmo que à custa de determinados acordos que nunca foram e não são dos sonhos do governo, parece que se faz arma fundamental – e inevitável. Só assim é possível vislumbrar um afrouxamento da corda que essa oposição que nós temos, totalmente desinteressada com o país, ajudada por nossa grande imprensa, vendida e imunda, tem colocado todos os dias no pescoço de Lula.

Ora, responda-me rápido: se fosse você que estivesse lá no Planalto, você também não iria querer se livrar da forca?

21 de Julho de 2009,
Ana Helena Tavares

O progresso e o sacrifício do beijo no carcereiro no blog Quem tem medo do Lula?

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28.6.09

Quando os animais explicam

Minha Pérola!
Freud e seu Lün, um chow-chow presenteado por Helene Deutsch.

“Diálogo” com Sigmund Freud, em homenagem à minha labradora, Pérola, fiel companheira, que morreu segunda-feira à noite, dia 22/06/2009. Os trechos de minha autoria aparecem em negrito. Os trechos de autoria do gênio da psicanálise aparecem em itálico e foram retirados de uma rara entrevista que ele concedeu ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. A entrevista completa está disponível em http://niilismo.net/forum/viewtopic.php?t=216

Sigmund Freud: Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana.

No meio do caminho eu tinha uma Pérola
Eu tinha uma Pérola no meio do caminho

Nunca me esquecerei daquele olhar naqueles momentos
Queria passar e lá estava ela
Agora quero ficar e ela não está lá

Deveria ter sentado mais no meio do caminho?
E acariciado mais a Pérola?

Não… Eu brinquei muito com minha Pérola!
Quantas chegadas festivas em casa!

Não há companhia como aquela…

Sigmund Freud: Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico.

Pois é, homens matam e morrem em busca de status, sem saber que caso alcançassem a estatura dos animais seriam muito mais felizes.

Sigmund Freud: O homem selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela própria impõe.

E, enquanto nós nos cobramos tanto, constantemente, de nos encaixar em um mundo totalmente desencaixado pela nossa própria ação, do que os animais se cobram a não ser da nobre tarefa de zelar por quem amam?

Sigmund Freud: As emoções do cão (acrescentou Freud pensativamente) lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essa a razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis como Aquiles e Heitor.

Menorzinha da ninhada…

Teu nome é Pérola!

Fruto de superações
Lutou pra mamar
Com os irmãos fortões!

Misturada de raças…

Tu nasceu labradora
Minha Pérola!
Uma vencedora!

“Ih, ela tem o um monte de pintinhas na barriga e, caramba, o nariz é rosado!”
“Você vai mesmo querer essa?”
“Ah, sei lá, pode ser um tipo de câncer, ela pode não durar muito, hein…”
É essa, mãe!

Não era câncer
Ela me explicou o valor (e o sabor!) de rolar na lona
Viveu de forma intensa
Séria e bobona…

Seu sorriso? Uma janela…

Uma estrada que Deus me deu

Sorria com os olhos! Que grande aula era aquele olhar!

Queria conversar com o meu

Queria dizer: vai em frente, menina!

Acredito no seu potencial!

E, se ela acreditava…

Duvidar seria no mínimo desagradável.

Sigmund Freud: As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura.

O único “conflito” que ela tinha não era pra dentro, era pra fora…

Era com a cachorrada da vizinhança

Acho que ela os achava muito abusados

Só quem podia latir por ali era ela, ora!

De brava? Só o tamanho…
Ela era um ser feliz dia após dia!
Só tinha um hábito meio estranho…
Gostava de me olhar quando eu escrevia

Sigmund Freud: (sorrindo) Fico contente de que não possa ler. Certamente seria um membro menos querido da casa, se pudesse latir sua opinião sobre os traumas psíquicos e o complexo de Édipo!

Parece que os animais não sentem essa coisa chamada “trauma”, né? Pelo menos não como a gente.

28 de Junho de 2009,

Ana Helena Tavares

Quando os animais explicam no É-poésis

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18.5.09

Uma pergunta para Platão - crônica

Há muitas pessoas querendo abandonar a condição humana, achando possível serem confundidas com Deus.
Vejo isso, olho aos céus, e fico me perguntando se será um engano meu. Mas, quando olho à minha volta, vejo que realmente tem gente que não se importa em nada com as leis da natureza e parece querer ocupar definitivamente o lugar divino.
Esse tipo de pessoa deve pensar que ninguém vê seus erros, que é sempre possível escondê-los do mundo, querendo passar constantemente a imagem de que são melhores que as outras pessoas. Será que eles não vêem as câmeras atrás do muro?
Há até quem ache que ser imortal pode fazer alguém feliz. Não sou capaz de concordar com isso. Afinal, a morte faz parte da vida tanto quanto não há tristeza sem alegria. Tudo o que existe está interligado.
Difícil falar sobre o futuro de uma sociedade plural em que vejo gente sonhando em se coisificar. Em todo o mundo, o ser humano está, cada vez mais, querendo manipular sua própria condição. Não são muitos os que aplaudem o diferente. Muitos são os que se rebelam por acharem-se limitados e, então, querem limitar-se de vez ao tornarem-se perfeitos. Vai entender…
Será que preferem ser bijuteria em vez de pérola? A pérola é uma ferida que a ostra curou, trata-se de uma dor superada. O resumo da história é assim: se corpos estranhos – diferentes – não provocassem machucados nas ostras, jamais se formariam pérolas. Tropeçar na infância, quebrar a cara na juventude e colecionar erros na estrada produz pérolas. Elas têm brilho intenso, são absolutamente lindas e cada uma delas é única. Bijuterias são produzidas em massa, que nem as linhas de produção nas fábricas de Henry Ford.
Aliás, a linha de manipulação genética que visa criar uma geração de “super-bebês” guarda mesmo muita relação com a robótica linha de montagem de uma fábrica. Errar é o oitavo pecado capital. Todos os parafusos têm que estar em seus lugares numa velocidade jamais imaginada por Chaplin. Isso se é que são precisos parafusos.
E, nisso, será que não se permitem a grande magia do baile da vida: perder o passo, sacudir a poeira e retornar ao salão? Nunca conseguirão me convencer de que viver tem alguma graça sem isso.
Então, para que eu iria querer já nascer um robô com o meu código genético todo manuseado pelas mãos da ciência, sabe-se lá com que intenções – imaginem todos os interesses econômicos que esses projetos envolvem – correndo o risco de eu passar a vida sem conseguir dançar? Não, eu não ia querer isso para mim, não quero para meus descendentes e espero que a humanidade perceba a tempo o quanto pode estar indo longe demais em seus anseios insanos.
Nem, tampouco, vejo sentido algum em sair por aí me dizendo perfeita, me achando a tal, quando a graça toda está em ser de carne e osso, e errar. Será possível que a humanidade não enxerga que todos os maiores acertos da história foram erros antes?
Olhe um pouco para o passado. De vez em quando, é bom para tentar entender o presente, ou ao menos para enxergá-lo por outro prisma. Sua vida teria sido a mesma sem toda a dança de emoções, que deixou tantas seqüelas? Você realmente acha que deveria ter sido diferente? E todos os sonhos? É ou não especial suspirá-los na varanda? Como tê-los se o quebra-cabeça já viesse completo?
Ah, meu Deus, muito obrigada por me fazer errônea! Vou vivendo assim até quando o Senhor quiser. Sei que morrer é algo natural e da morte não escapo.
Meu Deus, Platão está aí por perto? Eu adoraria saber se hoje ele queria ser vivo.

17 de Maio de 2009,
Ana Helena Tavares

criado por Ana Helena Tavares    10:27:45 — Arquivado em: Algum lugar entre a prosa e a poesia, Crônicas — Tags:, , , , ,

16.5.09

Uma pergunta para Platão - poema

Há quem queira ser Deus e abandonar o humano
Vejo isso, meu Deus, será engano?
Tem gente querendo ocupar o Seu lugar, e de vez!
Não se importam com Suas leis!
Pensam que ninguém vê quando erram, que fica tudo no escuro
Será que não vêem as câmeras atrás do muro?
Há até, veja só, quem ache que imortalidade traz felicidade
Nessa hora minha cabeça dá nó, isso não pode ser verdade
A morte faz parte da vida tanto quanto a tristeza não existe sem a alegria
Estão querendo manipular tudo, meu Deus, onde vai parar tanta rebeldia?
Não conheço coisa mais maravilhosa que o tropeço de uma criança
Pra que eu iria querer nascer um robô que não sabe o que é dança?
Dança de emoções, que doem e deixam seqüela
Dança de sonhos, suspirados na janela
Sou errônea, meu Deus, e sei que da morte não me esquivo
Será que Platão hoje queria ser vivo?

16 de Maio de 2009,
Ana Helena Tavares

Uma pergunta para Platão no site O melhor da web

Uma pergunta para Platão - poema no Recanto das Letras

criado por Ana Helena Tavares    21:23:08 — Arquivado em: Algum lugar entre a prosa e a poesia, Todos os poemas — Tags:, , , , ,

5.5.09

O doce maior da vida

- Para minha mãe, Maria do Céu, o meu maior doce, e para todas as verdadeiras mães do mundo.

Dentro do instinto biológico ideal, toda mulher deveria nascer mãe. Afinal, todas deveriam nascer para reproduzir. Só que algumas conseguem, outras não. E, além disso, quem disse que reproduzir é ser mãe?

Sinceramente, não acredito que o famoso “instinto maternal” seja comum a todas as mulheres. Não creio que toda mulher nasça com o instinto social (se é que cabe este termo) de ser mãe. Se assim fosse, como seriam possíveis todos os casos de mães que renegam, maltratam e até matam seus filhos? Como chamar aqueles seres de mães? Como é possível dizer que aquelas pessoas nasceram mães? A sociedade pode ter corrompido algumas, mas há aquelas que parecem já ter nascido com raiva de bonecas…

Dizem que o ato de brincar de boneca é o maior ensaio para as futuras mães. Mas há meninas que só gostam de brincar de carrinho e nem por isso significa que vão torna-se péssimas mães. Para muitas mulheres o seu maior sonho é vir a ser mãe. Outras, porém, preferem ter como ambição uma carreira de sucesso ou um amante insaciável - sem jamais pensar em ter filhos. Nem todas as mulheres, fazem uma festa a uma criança ou brincam com elas. Como todos nós sabemos, não é difícil encontrar muitas que repudiam crianças, quase como se as mesmas fossem um estorvo a evitar a todo o custo.

A sociedade mudou, é claro, mas isso não quer dizer que antes todas nasciam mães e agora não. Desde sempre houve desvios. O fato é que o termo mãe é grande demais para que se possa afirmar que toda mulher já nasce com ele. Não, não nasce. Mãe é uma das menores palavras da língua portuguesa e é a que talvez tenha um dos significados mais complexos. Não há mãe sem sonhos construídos em conjunto.

Sendo assim, não posso dizer que toda mulher já nasce podendo ser considerada mãe. Pois, quando olho pro mundo à minha volta, não posso crer que todo ser humano, homem ou mulher, já nasça amando. Na verdade, não nasce amando nem odiando. Sentimentos são edificados tal como castelos. E só o real amor pelos filhos torna uma mulher mãe.

Sendo biológica ou adotiva, quando a mãe é mãe, atribui todo o amor que tem dentro de si àquela criatura condicionada ao seu encanto – e a relação com seus filhos depende tanto do toque carinhoso na cria como da capacidade de uma “troca de olhares” a léguas de distância.

Não, eu não posso dizer que sou mãe. Sequer que sei o que significa ser. Posso no máximo fazer recortes da realidade que observo. Uma mãe, creio eu, está desde o simples gesto do pedaço de doce levado no quarto do filho até a crença inabalável que seus filhos são seu maior doce.

Tantas e tantas definições já foram dadas para as mães. Nenhuma delas alcança o que se passa no coração das verdadeiras mães ao perder um filho. Mário Lago, autor daquela conhecida música que tenta definir o que é uma “mulher de verdade”, disse certa vez num desconhecido poema: “É um fruto de sua vida / Um fruto que Deus lhe deu / Quem perde mãe já perdeu / o doce maior da vida”. Não resta dúvida que nossas mães são um doce inigualável. Mas arrisco-me a dizer que a dor da perda de uma mãe em nada supera a dor da perda de um filho. É uma questão de ordem natural das coisas. Como o próprio Mário Lago disse: o filho “é um fruto de sua vida”. É exatamente isso. E, nesse sentido, eu acrescentaria que as verdadeiras mães projetam em seus filhos um sentimento de imortalidade. O que gera uma sensação de perda de continuidade terrível a cada filho que morre.

Mãe é isso. É se doar de forma incondicional, vibrando mais com as vitórias dos filhos do que com as próprias, não se importando em até matar por eles, ou em deixar de respirar se for para o filho continuar perdendo o fôlego.

E isso não se vê em qualquer esquina.

05 de Maio de 2009,
Ana Helena Tavares

O doce maior da vida no Recanto das Letras

O doce maior da vida no blog do Patolino

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25.4.09

Os óculos quebrados

Foto: Ana Helena Tavares, em 23 de Abril de 2009

Para minha amiga Isabela Guedes que, passeando comigo pelo calçadão de Copacabana, reparou que mais uma vez os óculos de Drummond estavam quebrados e me disse: “Você devia escrever algo…”

Eu vejo tudo desregrado
Numa sociedade tão cheia de louça
Veja que incoerência, meu caro…
Fazem exigência e têm os pés na poça

Mas vejo por um prisma distorcido
O meio me deu óculos e ele mesmo os quebrou
É tanta informação passando em meu tecido
Que há dias em que não sei nem quem sou

Vejo o povo colocar as leis e quem as aplica numa margem, ou seria um pedestal?
E mandar o espaço urbano, seio das causas sociais, pra outro rio…
Quem me dera que isso fosse só uma miragem hibernal!
Daqui a uns anos, eu não quero ver meu país chorando em lugar frio

A moda é ser hipócrita, virou sonho de consumo
Hipocrisia resolve tudo, dá status, virou troféu
Pro meu olhar qual pode ser o melhor rumo
Senão ficar querendo admirar o céu?

Mas poetas gostam de observar a sociedade
Por isso Drummond sentava-se de costas pro mar
Só me resta uma grande curiosidade:
Quantos juízes ele terá visto passar?

25 de Abril de 2009,
Ana Helena Tavares

Os óculos quebrados no Recanto das Letras

Os óculos quebrados no site “O melhor da web”

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21.3.09

Pensamento

Uma vontade de fazer cafuné

Cafuné que vai e volta, pode ser por outras mãos…

21 de Março de 2009,

Ana Helena Tavares

 

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20.2.09

Quando o poeta se lê

- Dedico este pequeno ensaio a Affonso Romano de Sant’Anna, porque “escrever é formular nossos sentimentos”.

Quando o poeta se lê descobre que não quer ser super homem, não quer ser limitado por nenhum tipo de perfeição. Cada defeito, em cada letra, é o que o constrói. É o que o faz querer continuar.

Poesia não nasceu pra ser perfeita. Tal qual uma pintura que o pintor veja e… “Óh, caramba, faltou ali um passarinho”. Belo motivo pra fazer um quadro só com ninhos.

É que quando o poeta se lê recobre a si mesmo com o que veio de si. Seja alegria, seja tristeza, está tudo ali diante daquelas retinas. Umas mais fatigadas que as outras.

Quem é o poeta? Ele pode escrever em prosa e ter a poesia na alma. Ele pode escrever em verso e passar a vida proseando. Poetar é verbo, é carne, é o poder que todos nós temos de alcançar as nuvens. E, ao mesmo tempo, nos faz engatinhar como crianças pra dentro de nosso próprio interior.

E quando o poeta se lê, ele também vê ao redor. Vê muito. Vê quantos poetas há por perto, ou longe. Mas a geografia não entra nessa. Corações de poeta se atraem. Vocês têm dúvida?

De uma palavra escrita pode surgir um sorriso. Um sorriso que já se viu, já se sentiu em outros. E não me digam que sorriso não é poesia. Risadas? Sonetos puros. Com direito a verso alexandrino.

O choro então? Dali pode vir um hino. Hinos são poesia. Se cantados com a mão no peito nem se fala. Verdadeiras odes gregas. Ou troianas.

Na poesia até a guerra pode apaziguar.

Mas e a rima, e a métrica? Não, não é isso que faz um poema. Alexandrinos, haicais, versos brancos, o que importa é o sentimento. O olhar descomplicado.

O poeta escreve porque precisa se ler. Precisa beber do vinho que seus próprios pés pisaram. E não há nada como uma leitura bem direta que o diga: Tá lendo, né? Olha aí, você é isso!

16 de Fevereiro de 2009,

Ana Helena Tavares

Quando o poeta se lê no Recanto das Letras

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6.1.09

Sonhos não terminam de manhã! (ou Minas ainda há! 1ª e 2ª partes*)

Foto: Ana Helena Tavares

Uma rede, um pedaço de Minas...

Uma rede, um pedaço de Minas...

- Para o meu amigo Gilson Caroni Filho, capixaba com alma mineira, alma de menino… Um menino incansável na luta por justiça, que tanto sonhou construir mudanças no mundo que hoje muda o mundo construindo sonhos.

Vou para Minas, mas cadê Minas?
Disseram que se desfez, disseram que agora é mar.
Mas, ué, lá não tem praia, lá tem boi, lá tem vaca, lá tem o verde que dá café.
Posso sentir o cheiro. E sentir é saber.
Que algo existe, sim, existe! Sinto e…
por isso, ainda há!

De onde vem o leite que tomo de manhã?
Não me enganem!
“Ah, foi feito em laboratório…” Nada disso!
E aquela vaquinha branca que vi sestrosa pelo mato?
Minhas retinas não me iludem e se for ilusão, que mal há?
Tenho certeza, Minas ainda há!

De onde vem aquele pozinho pretinho com um cheiro irrepetível?
“Shiii, hoje em dia isso se fabrica, moça!”
Pela janela do carro observo, de um lado e de outro, cafezais em flor,
lá no meio deles, do coração de uma casinha simples pareço ouvir:
“Cheirinho de café quente, já colheu o resto?” Por lá não passou Mr. Ford,
por lá Minas ainda há.

Vou para Minas, sei que ela está lá! Sei porque sinto.
Ando nas ruas de minha querida metrópole, olho para uma rosa, sinto seu aroma e sei. Tiro o calçado na minha varanda, piso numa nesga de terra e sei.
Até ao acariciar meus cachorros olho profundamente seus olhares indecifráveis
e entendo que Minas sempre haverá.
Basta se querer que ela exista.

Queijo com goiabada,
cheiro de terra molhada,
palmas na calçada: “Ô, de casa!”
Cheguei em Minas. Uma rede, um quintal: “Ah, que bela amendoeira!”
Será dali que saem aquelas amêndoas parrudas de Natal?
Sabia que Minas ainda havia.

Como passar um Natal sem Minas?
Um Natal sem o interior,
qualquer interior.
Noel vem de uma cidade sonho?
Vem da minha Minas.
Todo real foi sonho antes.

Carrinho de rolimã desce,
sobe ladeira.
Era o brinquedo preferido do menino magrinho, irmão de mais dezesseis,
na sua longínqua Minas.
Hoje, bem-sucedido empresário, no Rio de Janeiro que adotou, ele garante:
“Minas não sai de lá.”

É por isso que eu vou para lá.
Na minha viagem, talvez não ouça nenhum “uai”.
Quem sabe não encontro algum capixaba, ou paulista talvez…
Que interior rico tem São Paulo, que interior rico tem o Brasil.
E pelo mundo afora já imaginaram quantos recantos não são, por assim dizer, mineiros? “Para que pressa, meu senhor, a gente já chega, é logo ali…”

E o senhorzinho, então,
vai indo,
vai indo,
até que avista Minas.
Ela estava
dentro dele.

Porque dentro dele
canta um galo.
Acordou junto
à primeira fornada.
Um pão quentinho
e Minas cabia naquele cantinho.

Lá fora, as folhas choram
o orvalho da noite que ninou as ladeiras.
Telhas com lodo acusam:
por ali passou água,
por ali passou vida;
Minas passou por ali.

E para onde foi Minas?
Terá ido para o bater de asas do beija-flor
ou para o deslizar da gaivota?
Não importa. Minas paira.
É o que os galos anunciam
todas as manhãs.

Você não os ouve de seu arranha-céu?
Experimente passar um dia arranhando
a terra…
Fazendo desenhos nela, casinhas de barro…
Ah! Como fiz casinhas de barro!
Sim, Minas mora nelas.

E pode morar também na sua,
basta ouvir o cantar do galo.
De repente, no ouvido um estalo.
É estalinho, é São João.
A brasa da fogueira escreve no vento:
“É Minas! É trem ‘bão’!”

Olha o trem…
ziguezagueando as montanhas,
parece brincar
com os cafezais.
Café com galo cantando?
É gosto de quero mais.

“Toma os trocados
pro seu doce,
vai lá na barraca,
meu filho,
deixa eu fazer o bolo de milho.”
Ah! Quero mais…

Minas deixa esse gosto nos lábios dos que já a beijaram.
E sinto… E há.
Como quando um domingo à tarde me faz sentir passar a banda…
Ela não passou? Mas senti.
Como quando um pingo de arte me faz sentir rodar em ciranda…
Não rodei? Mas senti.

Minas é sensação.
Como amar sem sentir?
E que gosto tem o real
sem o amor
que se confunde
com aquele chamego de interior?

Que gosto tem a fruta comida do pé?
Tem gosto de Minas!
Para que lavá-la e tirar seu pólen?
Minas é aquela pétala que compõe a flor,
porque secá-la é lhe negar sabor.
Sim, mangas têm pólen, margaridas têm sabor.

Como um grão de areia
que na nossa mão é maior que o mar,
Minas transforma,
se transforma,
nos transforma.
Por isso vive.

Vive na folha que cai da árvore
e voa que voa.
Sabe-se lá onde vai parar.
Vive na formiguinha que sobe a parede
à toa, à toa…
Que nada, está a trabalhar.

Está presente nas abelhas que dão mel
e nas ovelhas que dão lã.
De onde vem isso tudo, meu Deus?!
Para compor uma mesa de ceia, risadas harmônicas
e tortas rodeadas de saladas de frutas.
Quantas Minas, quanto campo, quantas lutas!

A pedra que dava ouro hoje dá louro
a quem nela crê.
Em Minas, tem dessas pedras que rolam na grama,
se sujam de lama,
sem se importar com quem vê.
Nem com quem ouve…

Mas o galo quer platéia… E a platéia precisa dele.
Ouça você com mais cuidado.
Sim, ele canta em sua metrópole.
Até na Avenida Central ele canta.
Verdadeiro mestre em disfarces,
sabe de inglês a javanês.

“Um dia traduzi num exame escrito:
‘Liberta que serás também’.
E repito”
Foi assim que Vinícius de Moraes confessou ter um dia
errado a tradução do lema da bandeira mineira.
Repito com ele!

Como saber se Minas há
se você nunca buscar libertar-se para que ela liberte-o?
Não tem tempo?
Ah, foi bom lembrar…
Cocoricó!!!!!
Para ser livre, Minas gosta de libertar os relógios.

E o que Minas
mais gosta mesmo
é de ser Minas.
Uma autenticidade
que nunca ninguém
vai lhe tirar.

Seja você
mineiro ou capixaba,
brasileiro ou estrangeiro,
é fácil entender.
Minas é sinônimo
de sonhar.

Já foi num campinho daqueles de várzea
e observou alguns pés descalços
atrás de um sonho?
Já interpretou o rosto de quem ganhou sua primeira pipa
e foi pro alto de uma ladeira para soltá-la
sonhando alcançar as nuvens?

A Minas
de que falo
é tudo isso.
Todos os sonhos
que enquanto houver
o pulsar de corações
não morrerão.

Ela está nos hábitos mais gostosos
que a humanidade já produziu.
Desde o sonho
de abraçar o mundo
ao desejo
de abraçar e beijar aquele menino/menina com quem tanto se sonha.

Sim, Minas está também nos namoros
e nos choros
que eles produzem…
Já se banhou num lago em dia de chuva fina e chorou de amor na cabeceira de um rio? Ou quem sabe… Já correu no temporal e chorou de amor à beira mar?
Suas lágrimas foram para Minas.

Chove e, em cada gota,
Minas é mais Minas.
Da janela se vê folhas escorrerem sua alegria.
Oh! Que lindo girassol no florista
de minha metrópole ensolarada…
Foi regado com amor.

Minas está no sol e na chuva, no sol e na lua –
está no encontro dos dois.
Está em tudo que é vida e vida
– para quem a vive intensamente –
cheira a sonho, como o pão de queijo quentinho da vovó,
como almofadas macias que embalam meu sono.

Sonhei que uma borboleta piscava para mim de noite.
Estou certa de ter visto uma beliscar os primeiros raios de sol.
Borboleta, borboleta… Borboleta que vai e volta…
Será a mesma? Eu sabia!
Minas está nela
e sonhos não terminam de manhã.

Dezembro de 2008

(escrito à mão, entre os dias 08 e 15, num lugar cheirando a Minas)
Ana Helena Ribeiro Tavares

*Um texto que nasceu por partes…

Minas ainda há 1ª parte no Recanto das Letras

Minas ainda há 2ª parte (ou As manhãs são dos galos e das borboletas) no Recanto das Letras

Minas ainda há 1ª parte no blog do radialista mineiro Carlos Ferreira

Minas ainda há 1ª parte no blog do Patolino

E as partes se juntaram…

Sonhos não terminam de manhã no Portal Literal

Sonhos não terminam de manhã no Guia de Concursos Literários

Sonhos não terminam de manhã no blog É-poésis

Obs: Claro está que este texto é minha singela homenagem ao maravilhoso estado de Minas Gerais e é importante ainda frisar que o título original de “Minas ainda há” trata-se de uma homenagem a Drummond, nosso magistral poeta mineiro, que dizia que “Minas já não há…”

11.10.08

Gênios nem sempre são tudo isso

Dedicatória: Em um de seus poemas mais auto-biográficos, Drummond declara que, quando nasceu, um anjo torto lhe disse:

“Vai, Carlos, ser gauche na vida”.

Este texto é uma homenagem a todos os verdadeiros mestres e, por ser livremente inspirado num conjunto de aulas de sociologia, é totalmente dedicado ao maestro que as conduziu: Gilson Caroni Filho, que, quando nasceu, ouviu daquele mesmo anjo:

“Vai, Gilson, ser mestre na vida”.

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Onde está a genialidade de um mestre? Títulos acadêmicos? Não! “Sou doutor, PhD, Honoris Causa”, falou o professor na primeira aula. “O que disse mesmo o professor?”, perguntam-se os alunos ao final do curso.

Mestres não precisam de apresentações. Se é que possuem títulos, ótimo, mas que os deixem nas molduras de suas paredes. O maior cartão de visita de um professor é sua aula e é ela que o tornará ou não mestre para seus alunos. Só ela: a aula. Sabe para que servem os certificados nessa hora? Soam como um recado para os alunos: “Atenção, eu sou o professor e sou maior que vocês”. Tudo bem que há uma inegável hierarquia, mas o “sou maior que vocês” não faz parte dela e não combina com mestres. Uma coisa é admirar um trabalho que se acompanha de perto e outra, bem diferente, é ser coagido a reverenciar certificados. Ah, sim, e para se acompanhar algo de perto, para que o aprendizado seja realmente de trocas, para que a relação de professor/aluno passe a ser mestre/discípulo, há que se haver a quebra de barreiras, há que se evitar com todas as forças os estrelismos. Não dá pra imaginar Sócrates dizendo pra seus discípulos “Sou doutor em ciências humanas, PhD em conhecimento do mundo e Honoris Causa em filosofia”. Meu Deus, ora vejamos, Sócrates era aquele que “só sabia que nada sabia” e, tantos anos depois, sua linha de pensamento ainda desfila pelo mundo, sendo a filosofia separada em antes e depois dele. Conclui-se que a genialidade não precisa ser alardeada. E mestres não precisam ser gênios.

Ah, a humildade… Só ela é capaz de fazer qualquer relação verdadeira. E ela também cabe aos alunos. Imaginem Aristóteles dizendo pra Platão: “Já sei tudo, não preciso mais de seus ensinamentos”. Imaginaram? Acho bom que não. Consta que Aristóteles bateu muito de frente com seu mestre, muito mesmo, fundando novas teorias, mas não tendo nunca renegado a importância de quem o precedeu. Até que ponto Platão foi legal com seus discípulos? Até o ponto em que lhes deu liberdade. Um ponto infinito. E por que foi tão legal isso? Porque lhes deu liberdade sem os perder de vista. E mestres são legais.

Sejamos sinceros… Quando a frase começa assim é bom sinal. É sinal de uma cumplicidade sem a qual não deveria se sustentar nenhuma sala de aula – ou pátio de aula, rua de aula, trem de aula (aula que é aula, convenhamos, pode ocorrer em qualquer lugar). Por esse raciocínio, fica até engraçado pensar nas provas tradicionais e suas notas burocráticas. Está lá o professor com seu grupo de alunos andando pela rua, ouvindo o cantar dos pássaros, cada um com uma prancheta na mão escrevendo sua análise sobre aqueles cânticos. Daqui a pouco vai o professor: fulano tirou 8,0 porque ignorou os bem-te-vis e sicrano tirou 9,9 porque não se lembrou dos rouxinóis. A primeira coisa que averiguamos é que essa situação é quase impossível. Ainda bem. A segunda coisa que se percebe é que esse professor devia ter uma clara preferência pelos bem-te-vis… Uma pequena metáfora para exemplificar o tendencionismo que, de certa forma, no âmbito do discurso é inevitável até para os verdadeiros mestres, mas que, em muitos casos, se faz cruelmente visível na aplicação de provas e distribuição de notas. Por isso mestres não precisam delas.

O que os mestres precisam ter é um bom papo… Isso mesmo, um bom papo. A coisa mais maravilhosa é quando a aula se torna um bate-papo. Você entra em sala com vontade de ouvir seu professor, de conversar com ele? Ainda que naquele dia só ele tenha falado, você sai de sala com a sensação de que aquele papo te abriu a mente? Sim? Então seu professor é um mestre. E, nesse contexto, pra que o academicismo de se adotar um livro base pro curso? Pra que quadros brancos, negros ou esverdeados? O mestre é a aula.

E quando esse mestre consegue fazer rir ensinando? Aí a maestria é completa. Periga os nomes na pauta serem trocados por apelidos. A chamada se faz desnecessária. Seja a aula de manhã, de tarde ou à noite, difícil não ter disposição pra uma aula em ritmo de mestre, em que se ri e se aprende. E não se vai lá pra dizer “presente!”. A aula é o presente.

Um presente que vem provar aos alunos que no outono há sempre uma primavera escondida. Isso porque a convivência com um verdadeiro mestre, essa troca de experiências, é um aprendizado de tal maneira proveitoso que abre um leque de possibilidades na mente daquele que se torna discípulo – aquele aluno que não necessariamente seguirá o mestre em sua área de atuação, mas valoriza-o profundamente. Um leque formado pelas possibilidades que já existiam dentro de cada discípulo e que o mestre só fez trazer à tona, mostrando a eles as primaveras que existem por trás do outono que, muitas vezes, eles próprios pintam em suas vidas. Mestres fazem isso.

Mestres são isso. Gênios nem sempre são tudo isso.

11 de Outubro de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

Gênios nem sempre são tudo isso no Recanto das Letras

Gênios nem sempre são tudo isso no blog do Patolino

Gênios nem sempre são tudo isso no blog do radialista mineiro Carlos Ferreira

11.6.08

Diálogo poético

Ana Helena

Como seria se meus humildes versos pudessem conversar com a poesia do gênio dos heterônimos? Imaginei como poderia ser esse diálogo inusitado, intercalando versos meus com os de Fernando Pessoa de modo que realmente parecessem conversar (os dele aparecem entre aspas). Segue abaixo o resultado em três postagens diferentes, divididas por temas.
criado por Ana Helena Tavares    21:56:23 — Arquivado em: Algum lugar entre a prosa e a poesia

9.6.08

O tempo e o caçador de borboletas

Ana Helena

Lutar contra o tempo
É como caçar borboletas
Aprisiona-lo parece belo
Mas nada como admirar seu vôo…

Vôo de pássaros sem espingarda
É como vida a rumar sem medo
Um tiro… Todo um bando se dipersa…
Uma pausa… Toda uma vida olha pra trás…

Olhar pra trás no reino animal
É como dar chance ao caçador
Olhar pra trás em nossa vida
Pode ser dar uma chance ao tempo

E assim aquele caçador de borboletas
Que num descuido de uma a aprisionou
Percebeu que não queria dela a beleza
Queria mesmo era saber voar como ela…

5 de junho 2008
Ana Helena Ribeiro Tavares

criado por Ana Helena Tavares    11:40:47 — Arquivado em: Algum lugar entre a prosa e a poesia

Cheia

Ana Helena

Estou cheia… Cheia mesmo, ouviram?!
Cheia não sei bem de que, é verdade!
Talvez do que sempre me imprimiram.
Hipocrisias da sociedade…

Sociedade muito bolorenta!
Que me deixa cheia sim, nunca nego.
Quem será que isso tudo ainda agüenta?!
Mundo preocupado com o ego…

O mesmo ego que me deixa tão cheia.
Do cotidiano, planos demais…
Na vida, não podendo fazer ceia

Um lanche também satisfaz!
Nunca cabe é julgar a vida alheia…
Pra que pensar que o outro tem mais?

Afinal será mais viva a pintura
Da fachada do vizinho
Ou será você que não mais atura
Seguir o seu próprio caminho?

Maio de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

criado por Ana Helena Tavares    11:38:45 — Arquivado em: Algum lugar entre a prosa e a poesia

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