Traços de Estilo

“A poesia confunde-se com a prosa da mesma maneira que o poeta confunde-se com o homem da rua e já não pode nem deseja reivindicar para si a condição de eleito dos deuses.” (o poeta Gullar) “É preciso levar em conta as palavras que você escolhe, cuidar de cada sentença. É preciso ser sensível ao sentimento das pessoas.” (o jornalista Talese)

31.8.09

Tempo: a sorte da vida?

*Para o meu amigo Maurício Vieira, que sabe que sem amor não há tempo que cure ferida.

Pelos caminhos do tempo

Eu, pêndulo deslumbrado,

Busco as rédeas do vento

Que sempre me havia guiado.

Dizem que o tempo é amigo da experiência,

Mas ele sozinho não me clareia o escuro

Que tão ingrata inconseqüência

Quer impor ao sonhado futuro.

Não digo que seja pura utopia

Acreditar que o tempo cura a ferida.

Essa na construção de um dia

Até pode ser doce concepção de vida.

Mas só se acha um vento na ventania

Quando do amor é a lição entendida.

28 de Agosto de 2009,

Ana Helena Tavares

criado por Ana Helena Tavares    15:33:11 — Arquivado em: Sonetos, Todos os poemas — Tags:,

27.8.09

Cabelo fixo a Gardel - Com vocês, JK

Seresteiro, namorador, bom de papo, de mesa e copo, o presidente é bossa-nova sem receios e se aproxima do perfil do latino sedutor com ares civilizados de estadista. Pé-de-valsa, roupa recortada, cabelo fixo a Gardel com pasta Gumex, JK é popular sem perder o porte. Passa do banquete ao rega-bofe sem cerimônia. Seu gosto pessoal tem a marca do ecletismo. Do arroz carreteiro ao cerimonial sem sobressaltos. Era novo no país um político natural, sem a menor afetação ao falar, que desfilava informalidade sem forçar a barra. Era porque era.

Por Ana Helena Tavares

O HOMEM JK

De Diamantina para o mundo

Nascido em Diamantina, Minas Gerais, no dia 12 de Setembro de 1902, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi um dos mais importantes políticos brasileiros. Formado em medicina pela Universidade de Minas Gerais, antes da presidência, JK foi prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e deputado federal.

O estilo JK

O estilo conciliador despertava inveja. Até os adversários admitiam: bastava conhecer sua simpatia para baixar a guarda.
JK em si, com seu jeitão, sinaliza uma postura de comportamento e cultura: concentra imagem da cordialidade e “boa gente” nacional. Seresteiro, namorador, bom de papo, de mesa e copo, o presidente é bossa-nova sem receios e se aproxima do perfil do latino sedutor com ares civilizados de estadista. Pé-de-valsa, roupa recortada, cabelo fixo a Gardel com pasta Gumex, JK é popular sem perder o porte. Passa do banquete ao rega-bofe sem cerimônia. Seu gosto pessoal tem a marca do ecletismo. Do arroz carreteiro ao cerimonial sem sobressaltos. Era novo no país um político natural, sem a menor afetação ao falar, que desfilava informalidade sem forçar a barra. Era porque era.
Seu próprio repertório é direto, logo moderno. O Conjunto da Pampulha, criada entre 42 e 44, quando JK era prefeito de Belo Horizonte, marca o seu encontro com Niemeyer e funda os antecedentes de Brasília.

Exílio e morte

Depois do Golpe de 64, JK tem seus direitos políticos cassados, sendo obrigado a exilar-se em 66. Clandestino na cidade que criou, recusado pela ABL, submetido a interrogatórios ridículos, sua morte em 22 de agosto de 1976, esmagado num Opala 70, no Km 165 da Presidente Dutra, revela a dramaticidade de uma infeliz coincidência: morre em acidente automobilístico – a indústria que mais impulsionou.

CONTEXTO HISTÓRICO - A ÉPOCA JK

“Traduzo esse tempo como a fome de reinventar e fundar uma luminosa, fraterna e mestiça idéia de Brasil.”
(Darcy Ribeiro)

JK e os anos dourados

Os quatro anos de Juscelino Kubitschek na presidência foram anos excepcionais para a construção de uma nova identidade nacional. O carisma de JK contribuiu para a explosão cultural no início dos anos 60.
No período de seu governo, o Brasil viveu o surgimento da Bossa-Nova e do Cinema Novo, além da vitória do escrete canarinho na Copa de 58.
Nenhum período histórico explode por acidente. Uma série de movimentos, tendências, modismos, comportamentos e personalidades tomavam forma desde o início dos anos 50 e passaram pelo governo JK nutridos pelo excepcional momento de criação pelo qual passava o país. Seu governo adotou prioridades estruturais e a cultura não foi meta explícita, como política pública. No entanto, ocorreu uma extraordinária virada na auto-estima nacional.
Os sinais de mudanças e ritos de passagem para o mundo urbano e industrial criaram uma aura de celebração do progresso e entusiasmo em diversos níveis. Esse contexto viria a contagiar pessoas, grupos e experimentos estéticos que fossem tradutores desse “novo Brasil”.
Se JK não interrompia processos, nem tinha uma política específica e direta para linhas culturais, no mínimo alimentava o imaginário nacional com diversos signos. O clima geral de invenção contagiava o agito institucional e pessoal dos artistas, pensadores e organismos. Foi como um lapso emocional na carga pesada das seculares dependências e misérias brasileiras.
Tais processos culturais, ricos em contestação, invenção e ousadia, viriam a ser interrompidos pela repressão e diluídos pelo mercado na época da ditadura.

Um sonho chamado Brasília

Brasília foi classificada por JK como meta síntese. E nela residiu seu momento mais inspirado. Criava sob Brasília alguns fundamentos de que havia um sertão a ser digerido ou devorado. Realizava-se, com a nova capital, a expressão mais estética e científica no avanço do urbanismo e da arquitetura.
Um povo se fazia reconhecer enquanto construía algo um pouco abstrato nos monumentos e conceitos, mas concreto no sentido de que significava uma vida melhor, revolucionária da miséria em que viviam. Ao menos naquele momento, Brasília determinou a essência de um entendimento do Brasil reposicionado no mundo.

CONTEXTO POLÍTICO - O GOVERNO JK - “50 ANOS EM 5″

“Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã de meu país e antevejo esta alvorada, com fé inquebrantável e uma confiança sem limites em seu grande destino”
(Juscelino Kubitschek, 2 de outubro de 56)

Conjuntura nacional

A eleição do mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira e de seu vice, o gaúcho João Goulart, representantes da coligação PSD – PTB, marcou um período de graves incidentes institucionais que revelavam a fragilidade institucional de um regime político que, nos momentos de crise, se via obrigado a apelar e acatar o supremo arbítrio dos militares.
JK e Jango derrotaram nas urnas os candidatos Juarez Távora (UDN), Ademar de Barros (PSP) e o ex-dirigente fascista Plínio Salgado.
A oposição udenista encabeçada por Carlos Lacerda não aceitou o resultado e tentou impedir a posse, através de um golpe de força.
Tentou primeiro no congresso impugnar a eleição sob o argumento de que tinham vencido sem maioria absoluta. A constituição da época, no entanto, não pregava esse critério como definidor do pleito.
A situação institucional agravou-se quando o vice empossado após o suicídio de Getúlio Vargas, Café Filho, teve que renunciar por motivos de doença. Assumiu o posto o presidente da Câmara, Carlos Luz, defensor das idéias de Lacerda e contrário à posse de JK.
A ação foi impedida pelo Marechal Lott, ex-ministro de guerra, que defendia o processo eleitoral e a via constitucional. Em Novembro, Luz foi deposto. O Congresso entregou o poder a Nereu Ramos, vice-presidente do Senado.
Com o apoio de Lott, Ramos governou até janeiro de 1956, quando entregou o cargo a JK. Estava agora no poder o principal idealizador do modelo nacional-desenvolvimentista.

Habilidade política

JK promoveu o desenvolvimento e a modernização do país, infundindo no povo brasileiro um otimismo contagiante.
Político de extrema habilidade, JK foi capaz, logo que tomou posse, de conciliar grupo divergentes que ameaçavam seu futuro. Adquiriu a fama do presidente sempre disposto a perdoar.
De imediato, lançou um Plano de Metas com 5 grandes objetivos: energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Das 30 propostas do plano, apenas as relacionadas à educação e à agricultura não foram cumpridas. Para financiar seu plano, jogou todos os custos para o governo seguinte, podendo, assim, rejeitar o empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e evitar uma reforma cambial.
As condições impostas pelo fundo para firmar o acordo de US$ 200 milhões desagradaram ao presidente, que seria obrigado a conter a inflação em 6%, reduzir salários, abolir o incentivo à agricultura e, o que era pior, retardar a construção de Brasília. Nada foi assinado.
No âmbito internacional, teve o mérito de criar a Operação Pan-americana, cuja principal finalidade era despertar as esperanças e energias dos povos americanos, principalmente da América Latina, com o objetivo comum de combate ao subdesenvolvimento.

Expansão industrial


Sua gestão foi marcada pela participação extensiva do capital estrangeiro na economia brasileira. É o período de forte expansão industrial (na foto, JK discursa durante a inauguração da Ford). Durante seu governo, a produção industrial cresceu 80% e a taxa real de crescimento atingiu 7% ao ano.

O fantasma da inflação

Paralelamente ao desenvolvimento industrial, JK recorreu várias vezes à emissão de dinheiro, jogando o país numa inflação crescente. Essa medida, que visava atender às reivindicações salariais e às solicitações de crédito, jogou o país em índices inflacionários nunca vistos.

Nos braços do povo

Com a visão do estadista que pensa nas gerações futuras e a paciência do político, JK chegou ao fim de seu mandato consagrado pelo povo, consagração que o acompanhou até sua morte e dura até hoje.

Obs: Este texto em que traço o perfil de JK, de sua época e de seu governo é fruto de uma vasta pesquisa que desenvolvi sobre o assunto. Publico hoje aqui ainda a tempo de lembrar os 33 anos de sua morte, completados no último dia 22.

27 de Agosto de 2009,

Ana Helena Tavares

Leia também de minha autoria: “O dom de irradiar esperança - JK, Lula e a imprensa

criado por Ana Helena Tavares    13:52:18 — Arquivado em: Perfis (ou ensaios biográficos) — Tags:, , ,

17.8.09

De Simon para baixo

Foto: Gustavo Miranda

Simon é tão coronel quanto os que por agora “enfrenta”.
Mas, se depender de nossa grande imprensa, ficaremos até 2010 nivelando o Congresso de Simon para baixo.
Por Ana Helena Tavares
Quer dizer que Pedro Simon (PMDB-RS) acaba de se transformar no último dos moicanos? Paladino da moral e dos bons costumes, sobrevivente de um Congresso que não sabe mais o que é ética. Vejam o que faz uma imprensa vendida ao cacifismo.
Não, não é só o nordeste brasileiro que conhece coronéis. O sul também os conhece. O governo Lula é corrupto, diz Simon, e no estado natal do senador vai tudo bem? Yeda Crusius (PSDB-RS) navega em mar de denúncias sobre corrupção e seu padrinho Simon não tem nada a declarar. Entendi.
Em entrevista concedida, por telefone, em 04 de Agosto, ao programa “Acorda pra vida”, apresentado por Raimundo Varela, na TUDO FM 102,5, o senador Pedro Simon disse que o presidente Lula quer manter o Senado “por baixo, porque assim ele se sente mais à vontade para conduzir o seu pensamento”. Pena que Pedro Simon não se sinta “à vontade” para combater a corrupção no RS.
Mas sente-se “à vontade”, livre, leve e solto, para declarar hoje, 17 de Agosto, em plenário do Senado, que Lula deveria “calar a boca” ao invés de ficar fazendo comentários sobre a denúncia feita pela ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a teria mandado apressar uma investigação que vinha sendo feita nas empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Se Lula se dá ao trabalho de abrir a boca para defender Dilma com veemência, obviamente é porque acredita nela. Mesmo porque não há prova absolutamente nenhuma quanto a essa denúncia, já quanto à corrupção no governo de Yeda Crusius… Ah, tá, mas aí, quem prefere calar a boca é Simon. Sabe-se lá em quem ele acredita.
Sabe-se lá em quem a imprensa brasileira acredita. Cabe perguntar: será que acredita nela mesma? Os mártires da vez são Collor e Sarney. Ora, ora, que grande descoberta fez a nossa grande imprensa! Descobriu agora que eles são execráveis, desprezíveis, baixos. E eles são mesmo isso tudo? São políticos da pior espécie? São. Basta estudar rapidamente suas biografias. Mas sempre flanaram junto com o vento, ou melhor, junto com as cifras, ou melhor ainda, junto com os editoriais. Quando eles interessavam aos barões midiáticos, Collor e Sarney foram reis. Agora, que não mais interessam, viram bandidos chave-de-cadeia. Bem, mas isso até chegarem perto das grades, porque, nessa hora, sempre flanará uma folha amiga, um globo salvador, que lhes pague a fiança. Ao contrário disso, peço que me digam em que momento nossa grande imprensa tomou as dores do ex-retirante que hoje ocupa o Planalto com mais de 80% de aprovação popular.
Mas a patética mídia nativa tem novo rei. O destemido Pedro Simon, que resolveu enfrentar os coronéis no Congresso. Triste de um país que, na busca desesperada por heróis, é enganado por sua grande imprensa, e endeusa corajosos de ocasião. Quando a figura ápice da honestidade em um Congresso é aceita por muitos cidadãos como sendo um senador que acoberta a corrupção em seu próprio estado, há algo muito errado.
Fico me perguntando: há bravura seletiva? Pavlov ia adorar responder a isso, mas nem é preciso. Há seleções e seleções, claro, mas, quando há interesses políticos envolvidos, tudo é seletivo.
Simon é tão coronel quanto os que por agora “enfrenta”, mas, se depender de nossa grande imprensa, ficaremos até 2010 nivelando o Congresso de Simon para baixo.
17 de Agosto de 2009,
Ana Helena Tavares
criado por Ana Helena Tavares    16:48:03 — Arquivado em: Artigos — Tags:,

5.8.09

Honduras e os “pacotinhos vazios”

Sempre que a democracia procura fortalecer-se por meio de consulta popular, a elite conservadora sente-se ameaçada e, tendo chance, tira o pó dos canhões. A ambição desenfreada dos que nasceram para o coronelismo não aceita que o povo, que pra eles só presta manipulado, enxergue com seus próprios olhos.

Assim foi no recente golpe militar em Honduras e não duvido que na caserna ainda repouse o sonho dourado da extrema direita brasileira. Os que ontem apoiaram o chumbo e que hoje continuam no poder, espalhados pelo Congresso, até podem fingir apoiar a paz, mas essa máscara não lhes segura no rosto.

Contar com a ignorância do povo sempre foi ferramenta fundamental de opressão política. Júlio César já sabia disso. Aqui e em Honduras, a elite conservadora mantém isso em comum: a voz deles é a voz de Deus, portanto povo não tem voz.

Pergunte a um dos vários coronéis que hoje em dia andam batendo boca no Congresso brasileiro se quando ele olha para uma criança desnutrida no nordeste brasileiro ele enxerga alguma coisa além do voto que os pais dela poderão dar a ele nas próximas eleições; pergunte aos militares que tomaram o poder em Honduras se há alguma relação entre povo e democracia. Você nunca irá ouvir esses nãos, mas nem é preciso.

Contudo, eu ainda quero crer que o progresso na democracia das Américas seja sólido. Falo do Brasil, claro, que, apesar de ainda ter que conviver com uma corja de congressistas que parece saída dos porões da ditadura, conseguiu elevar à cadeira mais alta do planalto central um homem que luta pela paz. Falo da América do Sul – Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai, Venezuela – e ouso incluir os Estados Unidos, porque, se ainda não chegaram ao ideal, ao menos Barack Obama é infinitamente melhor que o neurótico militarista, George Bush. Quero acreditar, ainda, que estes avanços que têm sido vistos sejam, cada um, um grão de areia e que, juntos, possam significar um processo mundial lento, porém paulatino, que possa trazer a tendência de que as verdadeiras ditaduras caiam uma por uma, como já estão caindo para ameaça dos que duvidam do direito civil.

Reclamar seus direitos, cobrar deveres daqueles em quem bem mais que um voto, se depositou confiança. Quantos no mundo podem fazer isso e não fazem? Quantos não podem e nem sabem o porquê?

Naquele domingo em que a democracia foi apunhalada pelas costas em Honduras, com um presidente sendo deposto de pijama por homens encapuzados que lhe apontavam rifles, o que de fato o mundo fez? A OEA e outros órgãos internacionais até ensaiaram uma reação que, infelizmente, já não parece estar com o mesmo fogo depois de toda a palha queimada nos primeiros dias.

E como reage nessas horas a população mundial? A imprensa brinca com os fatos a seu bel prazer, principalmente em coberturas como essa, e boa parte do mundo assiste a tudo isso como se estivesse eternamente sentado num sofá com pipocas e uma aventura de Rambo na tela. Só que isso é vida real. Vidas têm sido perdidas e a omissão não está listada entre os famosos sete, mas talvez seja o pior dos pecados. Das muitas besteiras que eu já disse até hoje, não me arrependo por tê-las dito; arrependo-me muito mais pelas que deixei de dizer e, assim, deixei de descobrir se eram ou não besteiras.

Os homens nascem com total liberdade de pensamento. Podem e devem valer-se dela ao longo da vida. É natural que quem tem um pensamento conservador chie com a possibilidade do progresso; é natural e vital que os progressistas da esquerda chiem junto para defender as idéias em que acreditam; o que não é natural, ou não deveria ser, é o comodismo, a apatia, a inércia.

Só plantando paz é possível colhê-la. É humanizar e ser livre, ou autodestruir-se.

Mas, ainda que não seja regra geral, a tendência mundial são eleições livres e só elas podem fortalecer a democracia. Se mudanças são a única certeza que temos diante do futuro, não se pode deixar de acreditar que isso possa se tornar regra. Ainda que o apoio internacional a Zelaya seja tímido, eu não acredito que, num mundo globalizado como o nosso, em que, em maior ou menor escala, todos os países precisam de todos, Honduras vá conseguir sobreviver muito tempo como ditadura. Uma hora, a diplomacia vai ter que dar certo; uma hora, algum acordo vai ter que funcionar.

Tantos homens de gabinete jogando promessas ao vento à espera que o vento se reforme por si… Tanta diplomacia de factóide, tantos acordos de mãos vazias… Pra que servem mesmo, hein? Onde está a paz?

“Sei lá. O melhor é não procurar muito. Tragam pacotinhos vazios. A paz deve estar lá dentro.” Carlos Drummond de Andrade talvez respondesse isso. Talvez para nos lembrar que as mudanças da vida sempre seguem seu rumo e, às vezes, a paz é algo que chega quando a gente menos espera.

05 de Agosto de 2009,
Ana Helena Tavares
criado por Ana Helena Tavares    16:44:06 — Arquivado em: Artigos — Tags:, , ,

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