Traços de Estilo

“A poesia confunde-se com a prosa da mesma maneira que o poeta confunde-se com o homem da rua e já não pode nem deseja reivindicar para si a condição de eleito dos deuses.” (o poeta Gullar) “É preciso levar em conta as palavras que você escolhe, cuidar de cada sentença. É preciso ser sensível ao sentimento das pessoas.” (o jornalista Talese)

31.5.08

A era glacial das emoções

O isolamento dos corações humanos na sociedade atual

Um ombro amigo. Ombro, colo, aconchego… Algo tão “cobiçado”! Cada vez mais esquecido…

Ah! Se todos soubessem dar valor ao ombro de um verdadeiro amigo. Alento de todas as horas. Desde os momentos de desilusão às explosões de alegria. Ah! Se enxergassem o tesouro que é poder abaixar a cabeça na certeza de um carinho. Mas parece que o ritmo alucinante da vida moderna vem, gradativamente, distanciando os corações humanos.

A verdade é que muita gente parece ter receio de viver a vida, muitas vezes, por ter vergonha ou, talvez, medo de ser feliz. Uma vergonha inconfessa, um medo de conturbadas origens. A vergonha talvez se deva, em parte, ao fato de algumas pessoas acharem ridículo demonstrar muitos de seus sentimentos, dizendo que isso não passa de “sentimentalismo barato”. No que diz respeito ao medo, uma das principais origens é, sem dúvida, a possibilidade de desilusões. No entanto, fugir dos problemas nunca foi a melhor solução para resolvê-los e é provável que quem se feche numa redoma de vidro na tentativa de conduzir a vida sem traumas seja também aquele que mais os atraia.

Talvez, se ao menos uma parte da humanidade soubesse chorar nos momentos tristes e sorrir abertamente nos alegres, procurando sempre expressar suas emoções de um modo geral, já seria um grande passo para que pudéssemos voltar aos tempos áureos das emoções, quando um sincero sorriso realmente falava mais do que mil palavras… Drummond diria: “Não nos afastemos.” E nessa caminhada em certos momentos não é preciso mesmo palavras… Sim, um abraço com aquele tapinha despretensioso e regado a companheirismo, um beijo no rosto sem máscaras, um aperto de mão realmente satisfeito, um simples aceno afetuoso, ou tão puramente um olhar cúmplice: são todos gestos capazes de falar sem palavras,visto que fazem parte de uma área tantas vezes indecifrável aos olhos da razão e somente capaz de ser compreendida pelos corações humanos. Corações que se resolvessem usar palavras para se expressar, provavelmente, gritariam bem alto que já estão cheios de viverem isolados, vendo que seus donos não conseguem se habituar a uma atitude que talvez trouxesse maior conforto às suas vidas: olhar nos olhos daqueles em quem se confia (confiar ao menos em alguém) e procurar dizer, sinceramente, o que se encontra escondido bem no fundo do peito.

É triste ter que admitir, mas a evolução tecnológica ocorrida de uns tempos para cá e, em particular, o desenfreado avanço dos meios de comunicação de longa distância, ainda que em muitos casos tenham vindo ajudar na manutenção de amizades, têm contribuído também, paradoxalmente, para “congelar”, ainda mais, as relações “olho no olho”. O que dizer de pessoas que trabalham em escritórios vizinhos ou ainda que moram na mesma rua e passam meses só se comunicando pelo computador? A questão é que algumas pessoas parecem ter literalmente se acomodado com a internet, limitando-se à facilidade de se comunicar com o mundo quase que exclusivamente por esse meio. Facilidade que tem seu preço. Não é difícil verificar o equívoco: por mais que alguns digam o contrário, o ser humano tem necessidades reais de afeto não capazes de ser totalmente atendidas por um mundo virtual marcado pela inconstância. O resultado é não raro a depressão, tão presente na sociedade atual.

E o que estamos esperando para começar a mudar isso?! Uma mudança interna, pois só assim se fará valer. A evolução tecnológica é um processo irreversível, mas não é só ela a culpada pelo visível “resfriamento das emoções”. Culpado mesmo é quem permanece inerte, achando tudo isso muito normal. O urgente é uma mudança de mentalidade que, por depender única e exclusivamente de nós, não pode ser considerada impossível.

O rumo que a humanidade vai tomar só o tempo poderá dizer, mas com tanta coisa amarga que somos obrigados a engolir não custa buscar um conforto mantendo a doce ilusão de um mundo que descongele a troca de olhares. E até lá, completaria o tímido poeta de Itabira, “vamos de mãos dadas”.

Ana Helena Ribeiro Tavares,

31 de maio de 2008

criado por Ana Helena Tavares    15:00:21 — Arquivado em: Crônicas — Tags:, ,

15.5.08

Cheia

Foto: Ana Helena Tavares

Estou cheia… Cheia mesmo, ouviram?!
Cheia não sei bem de que, é verdade!
Talvez do que sempre me imprimiram.
Hipocrisias da sociedade…

Sociedade muito bolorenta!
Que me deixa cheia sim, nunca nego.
Quem será que isso tudo ainda agüenta?!
Mundo preocupado com o ego…

O mesmo ego que me deixa tão cheia.
Do cotidiano, planos demais…
Na vida, não podendo fazer ceia

Um lanche também satisfaz!
Nunca cabe é julgar a vida alheia…
Pra que pensar que o outro tem mais?

Afinal será mais viva a pintura
Da fachada do vizinho
Ou será você que não mais atura
Seguir o seu próprio caminho?

- Livremente inspirado numa aula de sociologia… Porque mestres inspiram. Sempre!

Maio de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

criado por Ana Helena Tavares    11:38:45 — Arquivado em: Sonetos, Todos os poemas — Tags:, ,

5.5.08

Caminhando pela vida

Nas últimas décadas o ser humano passou a depender cada vez mais de carros e transportes públicos para se locomover, mesmo que entre pequenas distâncias. Ao que parece a vontade de caminhar diminuiu na mesma proporção. Recentemente, no entanto, muitas pessoas têm percebido o quanto os exercícios físicos podem ser benéficos para a saúde. Nos dias atuais já é possível ver muita gente falar sobre as maravilhas de uma simples caminhada.

O grande chamariz da caminhada é se tratar de uma forma aeróbica de se exercitar que pode ser encaixada na rotina diária. É ainda uma atividade de caráter social, aprazível para todas as idades e de riscos físicos quase nulos. Tantos prós têm encorajado uma quantidade crescente de pessoas a andar com freqüência regular, visando aperfeiçoar sua condição física e até mesmo relaxar a mente.

São incontáveis os benefícios trazidos para a nossa vida por esse tipo de exercício, o qual não nos pede nenhum custo excessivo. A caminhada regular é grande aliada do coração, ajudando a normalizar os batimentos cardíacos, além de aprimorar a resistência e a força física. Diminui ainda o risco de doenças, tais como a osteoporose, o câncer e todo tipo de doença cardíaca. Andar ajuda ainda a perder peso e, para quem valoriza a estética, é bom lembrar que também faz bem para a pele.

Ana Helena Ribeiro Tavares

Matéria publicada na edição de Maio/08 do jornal de bairro “Correio Carioca”.

criado por Ana Helena Tavares    15:22:38 — Arquivado em: Jornalista é contador de Histórias!, Reportagens — Tags:,

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